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Os desafios de uma liderança sustentável

A 15ª Conferência Climática das Nações Unidas que acontece esta semana, em Copenhague, na Dinamarca, está na pauta da mídia, mas o termo sustentabilidade, apesar de cada vez mais difundido, ainda não faz parte da cultura de muitas empresas. A criação de um setor isolado que elabore projetos pontuais de preservação à natureza ou responsabilidade social não é atitude de um líder sustentável, segundo Beatriz Pacheco, consultora do Instituto EcoSocial, referindose ao papel que o gestor deve ter nesse processo.
O desafio é muito maior do que parece. “O ideal é que a mudança comece pelo conselho de administração ou órgão equivalente e que, a partir daí, seja aplicado à toda a companhia”, afirma Carlos Brandão, coordenador do Grupo de Estudos de Sustentabilidade para Empresas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. “Sustentabilidade é um modo de conduzir o negócio, é importante que essa estratégia venha da alta liderança”, concorda Beatriz.

Como começar:

Neste período é essencial que o principal executivo assuma os projetos de sustentabilidade,segundo Beatriz. “Esta é a oportunidade de atrair clientes e diminuir riscos e o papel do líder é fundamental, porque é ele quem toma as decisões”. Mas, antes de colocar a estratégia em prática e obter os resultados, muitas perguntas devem ser respondidas e conhecer profundamente o negócio é ponto de partida para o sucesso. “Todas as empresas têm um impacto ambiental; sempre há como reduzir resíduos, consumo de água e de energia”, afirma Beatriz.
Brandão acredita que conversar e descobrir, em conjunto com a equipe, o que pode ser feito, ajuda na revisão dos processos e produtos.“Para tomar sua decisão, o líder deve estar disposto a se comunicar e ouvir seu grupo de trabalho”, afirma. Durante o processo alguns fatores de resistência podem ser identificados entre os profissionais e vivenciar o problema é apontado por José Monteiro, diretor e sócio-fundador da consultoria Monteiro Associados,como a solução. “Quando o gestor leva sua equipe para discutir uma situação, gera debate e as competências podem levar a bons resultados para a empresa”, afirma.
Para algumas o desafio pode ser maior, mas segundo Monteiro, seja qual for o setor de atuação, é possível alcançar o objetivo, se houver obstinação.“O líder deve trabalhar com foco nas possibilidades, sem aceitar respostas prontas como não deve ou não serve”, diz.

Não esqueça o lucro.

De modo geral, se preocupar com questões ambientais e sociais não quer dizer dispensar o lucro, pois o sucesso financeiro também é condição para uma empresa ser considerada sustentável. “O que faz a diferença é priorizar a sustentabilidade na estratégia da companhia e isso não quer dizer desconsiderar o lucro, mas repensar o modo como se atingem os resultados”, afirma Beatriz.
O retorno acontece a longo prazo, mas a tendência de crescimento certo é cada vez maior. “A sociedade está mais consciente, os consumidores estão mais criteriosos e a iniciativa sustentável gera preferência”,afirma. A consultora diz que o equilíbro acontece a partir do bem-estar dos funcionários e da comunidade, da aplicação dos fatores éticos,da escolha de fornecedores que se relacionem com a questão e da transmissão da proposta para o cliente.

O que fazer ?

1ºIdentificar as variáveis críticas a partir da alta liderança e definir planos de ação com grupos de trabalho. Ampliar consciência e gerar interação de funcionários.

2ºPara o cliente, fomentar o desenvolvimento de produtos sustentáveis. Tratá-lo sempre com transparência, ética e compromisso.

3ºDefinir critérios socioambientais na contratação de fornecedores e realizar encontros entre eles e os funcionários para tratar do assunto.

Fonte: Brasil Econômico

 
     
 

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